sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Dispenso...

Qualquer forma de agrado forçado
Todo tipo de carinho contido
A presença preocupada
De um pensamento distante
A tudo isso
Dispenso
Porém,
Com o desconforto inevitável
Do incômodo
De aceitar o descompasso
Do meu querer-te sempre
A todo momento livre
Mesmo quando as horas se encurtam
Pelo labor
A isso não nego
Mesmo assim te quero perto
Quero-te pra sentir contigo
O sol, o vento, a chuva, os perfumes
Desde a preguiça de um domingo
Até o acalanto de uma cesta
Quero repartir tudo o que me deixares
O que não deixares a mim não importa
Importa o que queres com prazer
Com todo o gosto e certeza
Se quiseres, sejas bem vindo
Que venhas comigo
Repartir os momentos
O dom celeste
A vida.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nó....

A vida da gente
de vez em quando enrrosca
de um jeito
que termina fazendo um nó
daqueles difígeis de desamarrar...

A garganta amarga
O estômago desce
E o coração da gente
Fica na mão
Pequenino feito botão...

Os olhos que não páram de lacrimejar
E o sentimento apertado
Atado à perda da poesia
que o circo nos fez relembrar...

Peço a Deus
Alforria,
Peço aos Céus
Perdão,

Se a vida é ping pong
Tudo o q vai, retorna
A volta do mundo
A gente vai dar
E esse nó desatar.

Isa Carvalho.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Você é aí fora de mim...

O tempo é um atleta que corre preciso
Por entre raios de sol,
Por entre pingos de chuva,
Por entre luas, estrelas
E por entre as rugas
Que tecem o desenho do rosto de cada um.
Podendo ser amigo,
Ora tornar-se inimigo,
Por vezes quando a memória
Teima em não querer guardar
Aquele fio de pensamento que faltou.
E é nesse dia, quando o amigo tempo vira as costas,
Sem querer saber de fio que faltou coisa nenhuma,
Que torna o certo, difícil, escancarado,
Desesperadamente, os segundos contados,
Pra tudo dar inigualavelmente errado.
Se tava tudo tão milimetricamente cronometrado
Pelo horário que o meu universo sabe contar.
E agora venho falar, do fio que a minha memória mandou embora
Fazendo eu me lembrar que o seu universo é um
Que você é aí fora de mim
O tempo que a gente teceu junto fez eu me esquecer
De um detalhe tão importante assim.
É que mesmo fora, você está sempre tão aqui dentro.
Meu peito me confundiu.
Não sei se foi o tempo, os segundos ou o fio,
Só sei que o seu sorriso, é tudo o que eu preciso
Pra rencontrar o eixo certinho de onde fiz a última parada
Um tanto tumultuada,
Pra entrar em órbita outra vez.
Isa Carvalho

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Amo-te Pela Vida Toda

Hoje acordei com uma vontade louca de beijar-te
E continuar beijando-te até o meu corpo se enroscar no teu completamente
Como ontem a noite, entre as almofadas da sala de estar
Logo depois daquela brusca tempestade (Quem dera a tivéssemos visto apenas passar pela janela).

Meu amor, nossa passagem por este mundo é tão breve
Que não nos cabe matar o tempo com duras penas
Não nos cabe abafar a alegria deste amor,
Nesta vida que temos pela frente.

Não quero apenas beijar-te com paixão
Vou deixar que ela nos invada
Aquecendo os corações
Com segurança de quem sente amor.

As lágrimas de ontem serão os sorrisos de hoje
E no amanhã as palavras sussurradas tomarão conta desta casa
Isso acontecerá nas próximas horas
Se os anjos ouvirem o que diz meu coração

E se nos abençoarem com suas preces
De amor, vida, paz e harmonia
Não importa se o fôlego me durar brevemente
Me importa que ele seja intenso de ti.
Amo-te pela vida toda.


Isa Cardoso.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Cheiro de Anjo...






“A casa tem harmonia e cheiros, tem também um cheiro de sejam bem-vindos”, comentava dona Diva benzedeira, com dona Francisca, minha faxineira rezaderia. Eu, que estava de orelha em pé, não resisiti “Mas que cheiro é este?” Arrisquei. “Se aproxime moço!” Ouvi. Mudei de rumo e fui me sentar lá fora... Foi assim que eu aprendi sobre as tais fervuras aromáticas, que além de perfumar a casa, atraem boas energias e podem até atrair os anjos...


Esse foi o depoimento do Arquiteto e escritor Carlos Solano, na matéria Cheiro-de-Anjo, na revista Bons Fluídos. A medida que fui lendo a matéria, as palavras foram me passando uma energia pra lá de boa e na leitura, comecei a sentir os cheirinhos das ervas fervendo no fogão e a fumaça cheirosa se espalhando pela casa junto com muitas energias positivas...


Então, fiz uma síntese da matéria...pra q todos possam conferir as receitas de Dona Diva e Dona Francisquinha!!! Ainda não experimentei nenhuma... Mas logo, logo...poderei dividir o resultado com vocês!!! Aproveitem...sintam os aromas e toda a energia positiva da sabedoria popular, da terra, das matas e campos desse nosso Brasil...divirtam-se!!!


É só ferver as ervas ou a essência delas com água nos horários recomendados e ir deixando a fumacinha cheirosa tomar conta da casa... HUMMM!!! Delícia!!!


Folhas de Eucalipto ou a essência: limpa as energias de brigas, irritação e mau-humor trazendo paz e tranqüilidade. Só colocar as folhas em água fervente e deixar o vapor se espalhar pela casa adentro.


Casca de Mexerica: Colocar a casca em água fervente e vaporizar o quarto de quem tem vícios. Diminui a ansiedade. Folhas ou flores de laranjeira ou limoeiro, ou um galho de arruda com seis ramos de hortelã: São Plantas que clareiam a vida. Deve ser fervido pela manhã quando o sol nasce e os raios invadem a casa.


Rosas vermelhas e amarelas, com folhas de manjericão e alecrim: Expansão da alma. Para ficar de bem com a vida e ser capaz de rir com fartura. Colocar as pétalas e folhas em água fervente e espalhar o vapor pela casa.


Ramos de mirra ou capim-cidreira: Inspiração, atraindo sensibilidade. Deve ser feito no finzinho do dia, quando o sol está se pondo.Ferver a mirra ou o capim em água fervente espalhando a fumaça pela casa.


Cravo e canela: Reforça a proteção, paz e equilíbrio. Deve ser feito durante a noite. É só ferver um punhado da mistura em água e deixar o aroma invadir os cômodos.


E pra finalizar, vou terminar com as palavras do autor: “Dona Diva se despediu sem me contar, mas deu a entender... O tal cheirinho de sejam bem – vindos só pode ser o cheiro dos anjos, que vêm ajudar quem se dispõe a melhorar a vida. Não basta tratar a casa, temos que curar o espírito. Como diz Dona Francisquinha,” Quem fica reclamando, de mau humor e sem sorrir, afasta os anjos, os amigos, os amores e se abre para as doenças. Quem busca o melhor de si atrai milagres e uma casa com cheirinho de felicidade...” Cheirinho de anjo, eu desconfio por agora...


Isa Cardoso

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Desamor. Parte I



NÃO! Ela se contorcia por dentro, mas não queria acreditar. Os olhos viam com clareza, os versos e as rimas e ela preferia não entender. Mas não podia fechar os olhos para algo tão claro. Os poemas não eram para ela. As fotos não eram dela. Estava visível. Ele não tinha por ela o mesmo desejo. E sem o desejo o amor vai morrendo. Se tinha fez tudo de um jeito tão natural, que era como se não houvesse mais nem uma gota de nada.


Ela pelo contrário. Tremeu das pontas dos pés até as lágrimas que escorreram espontaneamente pela face porque o amava como nunca havia amado ninguém. Era uma daquelas meninas carentes. Carência típica da ausência da figura masculina durante a infância e adolescência. Viu a mãe chorar muito por causa do pai que saia pra tocar viola na madrugada acompanhado de duas ou três raparigas numa só noitada. Viu também a mãe criar coragem e dar um basta nas orgias do pai.


Um certo dia, saíram as três com as malas na mão, ela, a mãe e a irmãzinha pequena, de quem ela cuidava com muito carinho. Sentia-se responsável pela irmã. A mãe saia pra trabalhar antes do sol sair e só voltava a noite. Poucas horas de carinho de mãe, mas carinho de qualidade. A mãe, mulher de coragem, trabalhadora, criou as duas filhas para serem mulheres independentes, fortes, de luta. Assim como ela era e se orgulhava de dizer e bater no peito "nunca precisei de homem pra nada. Sempre fiz de tudo um tanto". Mas nada supria a falta que o pai lhe fazia.


A menina cresceu e foi se transformando numa bela mulherinha. Na juventude, por ingenuidade ou por carência mesmo, não enxergava a belezura que era. Era inteligente, esperta, bela por dentro e por fora, daquelas moças difíceis de não se encantar. Mas nada disso ela via. Era como um patinho feio encolhido no meio da multidão. Assim se sentia. Mendigava carinhos de amores ilusórios que lhe prometiam mundos e fundos e nada nunca lhe cumpriam.


Por tudo o que viveu no seu pouco tempo de existência, não acreditava nunca que poderia ser amada por alguém. Nem acreditava que ia amar. Com uma lista recheada de amores vãos, encontrou não se sabe porque, nas peças que a vida nos prega, por acaso ou não, um poeta que lhe fez suspirar, que lhe fez acreditar que ela merecia todo o amor do mundo. Sentiu-se mulher, corajosa, bela, em esplendor e beleza.


Todos os versos e rimas eram exclusivamente para ela. E isso a fez descobrir um sentimento que nunca imaginou sentir antes. Sim! Esse mesmo!Uma paz acompanhada de euforia e malícia, sinceridade, confiança, segurança, carinho. Eram tantas sensações vividas num só instante, que ela mesma se confundia de pensar que nunca na vida queria sentir outra coisa.


Depois de exatos 14 meses de versos e rimas, flores, corações, desenhos nas calçadas, selou com o poeta a sua vida, colocando no dedo a aliança que lhe renderia dias eternos de amor. E os dias eram felizes sempre, mesmo quando haviam versos de tristeza e dor. Logo passava. O sentimento sublime que ela acreditava sentirem um pelo outro superava tudo. Nada se fazia obstáculo diante de tanto amor.


Mas a vida, fez ao mesmo tempo, muitos versos de dor e isso mexeu com o coração da Moça. E por força do destino, por curiosidade ou por certificação, começou a procurar. E a intuição não negava. Era como a mãe dizia "Quem procura acha" E ela como sabia no fundo do íntimo, achou.


Achou o que não queria nunca ter achado. Preferia mil vezes um chicote nas costas que lhe tirasse o sangue do que versos e rimas que não se endereçavam a ela. Os versos mostravam que no coração do poeta tinha espaço demais. Pra ela e pra muitas outras senhorinhas, raparigas, enfim...pra muitas outras que ainda quisessem ali habitar. E isso logo com ela que passou tão recentemente a acreditar no amor. Ele a ensinou que era necessário acreditar. Que sem o amor nada fazia sentido.


Mas ele a fez acreditar num único amor. Um amor onde dois são um e onde o desejo se endereça apenas de um pro outro e de outro pra um. Naquele momento, castelos de sonhos desmoronaram e ela enxergou com os olhos da mágoa e da tristeza. Sentiu que um pequenino pedaço do que por ele sentia se quebrou. E que apesar de ser pequeno o pedaço que se foi. Vai fazer uma falta imensa! Sentiu como nos dias onde era o patinho feio encolhido no meio da multidão. Como quando ela era a única menina da turma da escola com o rosto rosado cheio de espinhas, passando pelas coleguinhas todas com suas faces macias e esnobes, a olhando com desprezo.


Não! Não! Não!Nunca doeu tanto! Ela não parava de repetir a palavra diante dos versos. Estava ininterruptamente magoada, triste e sentindo- se um lixo. Sabia que depois daquilo o amor ia perdurar se fosse realmente o seu destino o mesmo destino do poeta, mas que pra isso teriam muito o que rever de vida, de sonhos, ilusões, sentimentos, verdades e mentiras.


E com a última lágrima que rolou de sua face lembrou de um verso do Leminsk que faria jus ao momento vivido e se perguntou: "AMOR, ENTÃO, TAMBÉM ACABA? NÃO QUE EU SAIBA. O QUE EU SEI É QUE SE TRANSFORMA NUMA MATÉRIA- PRIMA QUE A VIDA SE ENCARREGA DE TRANSFORMAR EM RAIVA OU EM RIMA...


...


Isa Cardoso.




quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Você...Tudo...Eu...Ciranda!




Se o céu é cinza

Você é o meu azul

Se tô de mau humor

Você é o meu sorriso

Se tudo tá sem graça

Você é a minha surpresa boa

No fim do dia.


No meio da tempestade

A minha paz

No meio do terreiro

O meu axé

Na roda de capoeira

A ginga do guerreiro.


No carnaval

Minha alegria

Na chuva

O sol que sai

No calor

a chuva que cai

E nos meus braços

És e serás sempre

Meu nego, menino

Amado, amor.


E eu nos teus braços

Eterna menina, mulher,

guerreira, rendeira,

Sua ciranda preta brasileira.


Isa Cardoso.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Da Arte de Aceitar












Ele não aceitava a moça. Ela foi, foi, conversou, conversou, rodou, rodou, artimanhou, manhou, arte e manha, miou, afinal rendeu. Criança de emoções superficiais, rápidas, espontâneas e passageiras, ele cedeu. Aceitou-a.Fiquei pensando em algo tão definido pelos psicólogos e literatos, porém inesgotável e eterno como o tema humano: a necessidade de ser aceito.Ser aceito não é receber a concordância. É receber até a discordância, mas dentro de um princípio indefinível e fluídico de acolhimento prévio e gratuito do que se é como pessoa.Ser aceito é realizar a plenitude dos sentidos do verbo latino Accipio, que deu origem à palavra portuguesa. Accipio quer dizer: tomar para si; receber, acolher; perceber; ouvir, ouvir dizer; saber; compreender; interpretar; sofrer; experimentar; aprovar; aceitar; estar satisfeito com. Tem vários sentidos, tal e qual essa aceitação misteriosa e empática que alguns nos concedem.Ser aceito é ser percebido antes de ser entendio. É ser acolhido antes de ser querido. É ser experimentado antes da experiência. É, pois, um estado de compreensão prévia, que abre caminho para uma posterior concordância ou discordância, sem perda do afeto natural por nossa maneira de ser.Ser aceito implica mecanismos mais sutis e de maior alcance do que os que derivam da razão. Implica intuição; compreensão milagrosa porque antecipatória; conhecimento efetivo e afetivo do universo interior; compreensão pela fraqueza; cuidado com as cicatrizes e nervos expostos, tolerância com delírio, tolices, medos, desordens, vesícula preguiçosa, medo do dentista ou disritmia.Ser aceito é ser feliz. Raro, pois. Quer fazer alguém feliz? Aceite-a em profundidade. E depois discorde à vontade. Ela aceitará.
Artur da Távola.
Adorei o conto. Lí na página de uma grande amiga no profile do orkut...Beijão pra Tatá!!!